MANIFESTO - Pelo Fim dos Supersalários e Privilégios no Serviço Público
- Felipe Dutra

- há 34 minutos
- 2 min de leitura

As instituições abaixo assinadas, representando o ecossistema empresarial produtivo do
Estado do Rio de Janeiro, vem a público manifestar sua profunda indignação e repúdio à
aprovação pelo Congresso Nacional de projetos que criam supersalários para servidores
da Câmara e do Senado, podendo atingir R$ 77 mil mensais, muito acima do teto
constitucional de R$ 46.366,19.
O Que Aconteceu
No dia 3 de fevereiro de 2026, em votação simbólica relâmpago de apenas 5 horas, sem
debate aprofundado e sem transparência sobre quem votou, o Congresso aprovou o
chamado sistema 3x1: uma licença compensatória que pode ser convertida em dinheiro
fora do teto constitucional.
Situação e oposição, que se digladiam publicamente em todos os temas, uniram-se
rapidamente quando o assunto era aumentar privilégios próprios. Apenas dois dias
depois, o ministro Flávio Dino suspendeu esses pagamentos extrateto, determinando
revisão de todos os "penduricalhos" nos Três Poderes.
O Descolamento da Realidade
Enquanto o Congresso aprova R$ 800 milhões anuais em supersalários para seus
servidores, o empresário brasileiro enfrenta carga tributária de 33% do PIB, burocracia
sufocante, juros altíssimos, insegurança jurídica e infraestrutura precária — sem retorno
adequado em serviços públicos.
O impacto desse reajuste supera a receita anual de 95% dos municípios brasileiros.
É mais dinheiro do que arrecadam 5.300 cidades inteiras. Apenas 9% dos brasileiros
ganham mais de R$ 5.000 mensais, enquanto o Congresso aprova R$ 77 mil para seus
funcionários.
A Hipocrisia Inaceitável
Parlamentares que aprovaram em votação simbólica (sem registrar votos individuais)
saíram às redes sociais no dia seguinte elogiando a decisão do ministro Dino que
suspendeu exatamente o que eles mesmos haviam aprovado 48 horas antes. Cinismo
em estado puro.
Nossa Posição
Respeitamos o serviço público e reconhecemos milhares de servidores dedicados e mal
remunerados. Nossa crítica é contra a elite do funcionalismo que manipula o sistema
para criar privilégios exorbitantes, e contra parlamentares que agem exclusivamente em
benefício próprio.
Criticamos um sistema que socializa os custos (toda sociedade paga via impostos) e
privatiza os benefícios (apenas a elite política desfruta).
O Que Exigimos
1. Transparência Total - Divulgação dos votos de cada parlamentar nessa votação simbólica
2. Veto Presidencial - Veto integral aos projetos que criam supersalários no Congresso
3. Fim dos Penduricalhos - Extinção definitiva e permanente em todos os Poderes e níveis da Federação
4. Reforma Administrativa Urgente - Que valorize quem trabalha e elimine privilégios
injustificáveis
5. Consulta ao Setor Produtivo - Discussão prévia de medidas que impactem
significativamente o orçamento público
6. Aprovação do PL dos Supersalários - Votação imediata do projeto que tramita há quase uma década
Mensagem Final
O setor produtivo brasileiro está no limite. Trabalhamos 12, 14, 16 horas por dia, assumimos riscos pessoais e patrimoniais, pagamos impostos antes de ter lucro — e recebemos em troca estradas esburacadas, portos ineficientes, escolas de baixa qualidade, segurança falida e burocracia que consome recursos.
Não haverá arrecadação sem produção. Não haverá emprego sem empresa. Não
haverá desenvolvimento sem respeito ao setor produtivo.
Convocamos todas as entidades do setor produtivo a se manifestarem de forma
contundente contra esses abusos. Seguimos abertos ao diálogo, mas exigimos respeito,
responsabilidade e fim imediato dessa farra às custas do contribuinte brasileiro.
O empresário brasileiro não esquece. E não se calará mais.





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